Dia 6 de novembro no Palau de la Música – eu vou!!

Tive um sonho que começava em uma casa grande e meio vazia, estranha, escura e úmida. Minha mae falava sem parar mas nao era minha mae – era a Dé, uma das minhas amigas do colégio. Houve festa de aniversário mas a mansao começou a ser invadida por um pessoal perigoso, vinham todos com seus filhos e começaram a roubar tudo. Nos corredores umas molas penduradas do teto davam choque elétrico só de passar perto. Teve seqüestro. Teve declaraçao de amor e beijo. Teve piscina, que era mar na realidade, com pôr-do-sol e céu vermelho. Teve topless. Mas de repente do fundo do mar começaram a vir touros correndo, e parece que era algo comum, mas as pessoas se assustaram porque eles vinham zangados e isso nao era normal. Alguns sairam correndo, eu também, mas quando olhei pra trás Ele tinha se jogado no mar e corrido em direçao aos touros. Vi o principio da tragédia, gritei, e fui levada pela multidao assustada pra fora – pra fora de onde? pra fora de um teatro! O mar, que era piscina, era também teatro, com suas poltronas e carpete vermelho, e o centro de tudo – o mar/piscina com touros – era onde deveria estar o cenário. Consegui voltar a entrar no teatro. Tava tudo molhado como se o mar tivesse inundado tudo e logo retrocedido. Algas nas poltronas. E algumas pessoas inconscientes devolvidas pela maré. Ele também estava e eu o encontrei, jogado entre as poltronas daquele teatro molhado, e repirava, abriu os olhos e me viu.
Sonhei que estava no mar. Nao no fundo do mar, mas sobre as rochas cobertas de corais sob menos de 1 metro de profundidade. Eu caminhava, deitava, era um dia de sol igualzinho ao dia que eu fui mergulhar em Malta. A luz do sol passava pela água cristalina iluminando o fundo… E eu toda tranqüila fui mordida no pé por uma planta carnívora aquática. Ela sugava meu pé esquerdo, e o povo que tava comigo puxou puxou e conseguiu me livrar. Tinha cortado meu pé direito nas rochas e ainda por cima vi que se aproximava uma cobra do mar, passeou perto do pescoço e eu sem me mexer… ai ela foi e me deu uma descarga elétrica no braço direito.
De repente estava à noite ao lado de uma casa com jardim. Era de noite, tinha uma árvore grande e mesinhas com velas acesas e puffs em volta. Meus amigos brasileiros estavam por lá, mas eu tava de mau humor, nao sei por que. Fui me maquiar na frente de um espelho (grande, deitado na horizontal sobre uma mesa, também ao ar livre) e estava quase saindo no tapa com uma menina que estudou no 1º ano da facul comigo e que faz um montao de tempo que nao vejo! (pelo menos na vida real, claro). Pois nao sei qual era o problema mas eu tava quase matando a menina, e ela ria irônica, e eu me segurando… nao me lembro por quê.
Ai meu pai apareceu. Me carregou no colo. Eu tava vestindo uma blusinha verde e uma saia branca. E quando meu pai me pegou no colo lembrei dos dois pés machucados, e de repente parecia que meu pai me levava porque eu realmente nao podia andar. Começou a chuviscar, mas era uma chuva gostosa, eu nao me importava. Levava na mao direita umas espigas de trigo que iam balançando com o balanço do caminhar do meu pai que me carregava… Foi entao que percebi que estávamos em Caraguá, e a casa que eu estava até entao era uma casa atrás da casa da Nice. E percebi que era ano novo e estava toda a familia reunida, tinha churrasco, lembro de ver parentes que nao vejo há muito, o cheiro de picanha, meu tio trazendo Brahma e Skol, todo mundo conversando, rindo… Meus primos brincavam de esconde-esconde, um deles com um chapéu e uma espingarda na mao olhou pra mim e sorriu. Vi minha mae em pé ao lado de uma mesa inesperada conversando com pessoas inesperadas na maior paz. Meu pai me colocou num balanço, fiquei sentada sem tocar com os pés no chao. Estava afastada do pessoal e estava contente, tomando chuva e pensando que por isso meu primo nao tinha respondido meu email sobre minha idéia de roteiro, porque ele sabia que ia me ver e preferia me dizer pessoalmente que ele tinha gostado…
Ai eu acordei.
Sonhei com um mooooooonte de coisa, que ja to esquecendo… sonhei como se tivesse vendo um capítulo de Lost, com todos os personagens fazendo várias coisas malucas… sonhei que tava comendo feijoada na minha vó e fiquei sem batata frita (desde quando se come batata com feijoada?), sonhei que seu pai tinha um aviaozinho, e eu fui com a Carol e com ele levar sua mae pra escola, ai na volta estávamos os 3 e o aviao começou a cair, e seu pai deu um jeito dele cair na agua, e a gente conseguiu pular fora e se salvou, nem doeu nem nada haha… ai a Carol encontrava um menino que perguntava de você e ela dizia que vc tava trabalhando como auxiliar de enfermagem num hospital, e eu falei “como é que ele nao me contou isso????”… Tambem sonhei com uma casa meio terrorífica que eu ia e vinha ia e vinha pelos corredores cheio de portas (acho que seria até capaz de desenhar a casa agora), era uma casa que ficava nos fundos de um restaurante… e entrei num quarto que ficava bem la no fundo e tinha uma boneca de porcelana tamanho real deitada na cama, com o lençol em cima, eu morrendo de medo… ahhhh sim, e acho que por culpa do Buñuel tambem sonhei que eu tava indo pra uma festa com a minha amiga Thaisa e meu olho esquerdo explodia, ou entrava alguma coisa e a hora que eu arrancava meu olho tava sangrando, sei la… e eu procurando agua oxigenada….
…Well it’s been a long time, long time now
since I’ve seen you smile.
And I’ll gamble away my fright.
And I’ll gamble away my time.
And in a year, a year or so
this will slip into the sea
Well, it’s been a long time, long time now
since I’ve seen you smile…
Tive um sonho faz tempo que me deixou fascinada. Acordei com a idéia de transformá-lo em roteiro, sonhei com o título e tudo, mas acho que um curta nao serve… portanto, quem sabe nos próximos meses meio em stand-by em BCN (e de férias no Brasil e de Erasmus em Stockholm) eu nao começo a escrever finalmente o roteiro do meu primeiro longa-metragem??
…A noite passada
Você veio me ver
A noite passada
Eu sonhei com você…
Enquanto as pessoas sao ainda mais ou menos jovens e a partitura de suas vidas está somente nos primeiros compassos, elas podem compô-la juntas e trocar motivos… mas, quando se encontram numa idade mais madura, suas partituras estao mais ou menos terminadas, e cada palavra, cada objeto, significa algo diferente na partitura de cada um.
(…) Lamentou ter sido impaciente. Se tivessem ficado juntos mais tempo, talvez pouco a pouco tivessem começado a compreender as palavras que pronunciavam. Seus vocabulários teriam se aproximado pudica e lentamente, como amantes muito tímidos, e a música de um começaria a se fundir na música do outro. Mas é tarde demais.
(…) Mas o frágil edifício do amor deles seria inevitavelmente destruído, já que esse edifício se assentava sobre uma única coluna, a de sua fidelidade, e os amores sao como os impérios: desaparecendo a idéia sobre a qual foram construídos, morrem com ela.
(…) Há sempre uma porcentagem de inimaginável… entre a aproximaçao da idéia e a precisao da realidade subsistia uma pequena lacuna de inimaginável, e era essa lacuna que nao o deixava em paz.
(…) A unicidade do “eu” se esconde exatamente no que o ser humano tem de inimaginável. Só podemos imaginar o que é idêntico em todos os seres, o que lhes é comum. O “eu” individual é o que se distingue do geral, portanto o que nao se deixa adivinhar nem calcular antecipadamente, o que precisa ser desvendado, descoberto, conquistado no outro.
(…)Mas o mundo estava tao feio que entre os mortos ninguém queria ressucitar.
Embalou-se com esse pensamento doce. E, à beira do sono, no espaço encantado das visoes confusas, de repente teve certeza de que acabara de achar a soluçao para todos os enigmas, a chave do mistério, uma nova utopia, o Paraíso: um mundo onde se tem uma ereçao com a visao de uma andorinha e onde ele pode amar Tereza sem ser importunado pela tolice agressiva da sexualidade.
(…) Nietzsche veio pedir ao cavalo perdao por Descartes. Sua loucura (portanto, seu divórcio com a humanidade) começa no instante em que chora pelo cavalo.